Complexo Multifuncional Campus Central - Puc Campinas

São Paulo / Brasil

2017

Concurso a Convite - 1º Lugar


Com o objetivo de revitalizar a área de seu Campus Central, a Puc-Campinas promoveu em 2016 um concurso a convite para apresentação de propostas para um empreendimento multifuncional, com programa para Laboratório, Lojas, Escritórios, Consultórios e Clínicas, Hotel, Auditório, Capela e estacionamentos, tendo como peculiaridade o contexto de proximidade de edificações tombadas pelos conselhos de preservação do patrimônio histórico e arquitetônico municipal e estadual.
O projeto localiza-se na região do entorno do Solar do Barão de Itapura, prédio que abrigou os primeiros cursos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e é agora objeto de restauro para adequação do seu espaço físico às atividades de arte, cultura e lazer.
O Solar do Barão de Itapura é uma referência arquitetônica de grande importância e relevância histórica, cultural e educacional não apenas para Campinas, nas para o Brasil. Projetado e construído entre 1880 e 1883 pelo italiano toscano Luigi Pucci, preserva ainda hoje a integridade de seu estilo renascentista italiano, largamente apropriado pela aristocracia emergente da agricultura cafeeira do final dos oitocentos.
 
Nesse contexto, a nova arquitetura deve ser contemporânea e expressiva, mantendo com o patrimônio existente uma estreita relação que não seja apenas de testemunho, nem de timidez ou de desdenho, mas, sobretudo, de profundo respeito. Seu desenho deve ser harmonioso, demonstrando e enfatizando com contundência o seu tempo.

NOVA OCUPAÇÃO e NOVA ARQUITETURA

A nova ocupação pressupõe a retirada das edificações existentes no terreno, assim como dos anexos construídos junto ao Solar do Barão que não possuem valor arquitetônico relevante.  Esse vazio criado no centro da quadra destaca o bem tombado e permite que o terreno ganhe aberturas para as vias lindeiras ao lote, o que amplia suas conexões com o tecido da cidade. Essa particular morfologia também oferece ao terreno novas relações espaciais e visuais, que permitem transformar o lugar em um novo espaço público, onde o Solar do Barão adquire sua necessária dimensão urbana. 
Respeitando as condições topográficas e as cotas do nível das ruas do entorno, o empreendimento contará com acessos generosos que ampliam e potencializam os fluxos da cidade. Eixos de circulação internos permeiam o terreno e distribuem os usuários aos diversos espaços públicos do Complexo, sequencialmente distribuídos em dois térreos, denominados Térreo Superior e Térreo Inferior.
No Térreo Superior, localizam-se as lojas e os Laboratórios que, voltados para os jardins internos do Solar do Barão, têm seus percursos integrados visualmente com o bem tombado. A Capela, também nesse mesmo pavimento, tem seu acesso e seu uso resguardados e independentes junto ao edifício preservado. 
Em virtude das condições legais que estabelecem para as construções afastamentos e recuos escalonados, o Hotel, os Escritórios e os Consultórios foram dispostos em duas Torres de verticalidades variáveis. O Hotel, com o Centro de Convenções contíguo, tem seu acesso pelo Térreo Inferior junto a Rua Isolethe de Souza Aranha, enquanto que os Escritórios e os Consultórios têm seus halls de recepção no nível do Térreo Superior.
As duas Torres contam com circulações verticais (elevadores e escadas) independentes por uso, de modo a preservar a integridade de suas atividades distintas.
As Torres procuram expressar na sua arquitetura uma leveza compositiva que preserva e destaca o bem tombado. A Torre Maior, perpendicular à Avenida Francisco Glicério (e consequentemente paralela à Rua Marechal Deodoro), se oferece ao Solar do Barão como um “pano de fundo neutro” que antepara as perspectivas visuais urbanas, expondo para a cidade a magnitude da praça e do imóvel restaurado. 

Complexo Multifuncional Campus Central - Puc Campinas